Friday, November 06, 2009



Cinzento

Poeiras de crepúsculos cinzentos.
Lindas rendas velhinhas, em pedaços,
Prendem-se aos meus cabelos, aos meus braços,
Como brancos fantasmas, sonolentos…

Monges soturnos deslizando lentos,
Devagarinho, em misteriosos passos…
Perde-se a luz em lânguidos cansaços…
Ergue-se a minha cruz dos desalentos!

Poeiras de crepúsculos tristonhos,
Lembram-me o fumo leve dos meus sonhos,
A névoa das saudades que deixaste!

Hora em que teu olhar me deslumbrou…
Hora em que a tua boca me beijou…
Hora em que fumo e névoa te tornaste…
--Florbela Espanca

4 comments:

Anonymous said...

Whoooah! Very dramatic images mom!

Ana said...

Cinzento mas muito belo, não acho nada dramático como diz ali o nosso amigo anónimo:-))).
As imagens estão magníficas desse sítio que tanto amas!!! O poema é também maravilhoso.
Jinhos querida e um Xlente semana veru happy!:-))

Anonymous said...

CINZENTO...


Sem ti
Adormecemos no tempo
Um dia a mais por amar
Dor que teima em passar
Amor que resiste a começar
Desejo sedento
Esqueço o tempo sem ti

Sem ti
Irei sem destino
Levarás no olhar
Eterna chama de amar
Nossos desejos a chamar
Corpos sedentos de se tocar
Ipregnados no dom divino
Obcecado por ti

Sem ti
Ofusca-se o pensamento
Mais uma noite a gelar
Bebendo a ânsia de te amar
Roubando os dias ao tempo
Afervorado por ti

gaivota said...

florbela espanca, uma mulher, uma poetisa, a preto e branco!
muito bonito!
beijinhos